Memórias de pedra e silêncio: o drama de uma aldeia expulsa
Entre as pedras que guardam silêncios de dor e memória, ergue-se hoje um novo suspiro — mas não sem sombra de história.
Nos interstícios da Serra da Marofa, Colmeal ergue-se como um testemunho silencioso, onde os muros de xisto e as portas de madeira desgastada fundem-se na memória de um passado trágico. Em 10 de julho de 1957, uma decisão judicial rasgou a essência desta aldeia no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, resultando na expulsão violenta de toda uma comunidade pela Guarda Nacional Republicana. Sob a sombra desse episódio sem precedentes, as casas, outrora vibrantes de vida, transformaram-se em testemunhas de dor e resistência, ecoando lamentos de um povo que, embora desalojado, nunca deixou de pertencer à sua terra.
Hoje, estas ruínas cobertas por vegetação falam de cicatrização, enquanto um hotel de quatro estrelas emerge respeitosamente entre as pedras.
Este espaço entrelaça tradição e modernidade, oferecendo serenidade a quem busca refúgio na beleza discreta da Beira profunda.
A pequena capela, erguendo-se vigorosamente entre as reminiscências do passado, só reforça a mensagem de que, mesmo das cinzas mais profundas, pode brotar um novo amanhecer. Visitar Colmeal é, portanto, uma jornada entre o silêncio das pedras e as memórias que nelas ainda vivem, onde o eco de um povo ressoará eternamente.





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