Sussurros da Marofa: Castelo Rodrigo e a Eternidade da Raia
Sob o olhar atento da Serra da Marofa, verde umbigo no horizonte infindo, Castelo Rodrigo, aldeia histórica, ergue-se como um palimpsesto de pedra e tempo, sentinela silenciosa da raia beirã. Nas suas ruas estreitas, a Rua da Cadeia e a Rua do Relógio tecem um labirinto onde o passado respira, onde cada calçada guarda a memória de passos ancestrais. A Torre do Relógio, altiva sentinela, marca um tempo que aqui se alonga, enquanto o pelourinho, solene símbolo de justiça e autonomia, ergue o seu braço de granito dourado pelo sol.
Mas é nas ruínas do Palácio de Cristóvão de Moura, outrora símbolo de poder e ambição, agora consumido pela fúria do povo, que a história clama. As paredes esfaceladas sussurram intrigas de corte, promessas traídas, e a eterna luta pela independência. Entre as pedras que resistem ao tempo, Castelo Rodrigo não é apenas um lugar a visitar, mas um poema de resistência esculpido em granito, um convite a sentir a melodia das eras, onde o passado não morre, mas se revela em cada esquina, em cada ruína que se ergue como um verso para a eternidade. O vento, esse poeta invisível, canta entre as muralhas, levando consigo os sussurros de reis e conspiradores, num horizonte que abraça Portugal e Espanha, unidos na memória da pedra e do céu.




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